Ipatinga: Conferência do Idoso discute desafios de envelhecer no século XXI

Foto: Reprodução

Depois de presenciar uma pessoa idosa sofrer dificuldades para subir as escadas de um ônibus, dona Maria das Dores, de 61 anos, moradora do bairro Parque das Águas, se comprometeu a nunca mais se manter passiva diante de situações que violam os direitos dos idosos em Ipatinga. Nesta quarta-feira (05), ela estava presente juntamente com mais de 100 munícipes da ‘melhor idade’ no salão principal do Industrial Esporte Clube, no bairro Bom Retiro, para discutir os “Desafios de envelhecer no século XXI e o papel das políticas públicas” em favor deste segmento da sociedade.

Em sua sétima edição, a Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa propõe quatro eixos temáticos que servirão para os participantes elaborarem diretrizes que contemplem os anseios e objetivos de vida desta população. São eles: Direitos fundamentais na construção e efetivação das políticas públicas; Educação: assegurando direitos e emancipação humana; Enfrentamento da Violação dos Direitos Humanos da pessoa idosa e os Conselhos de Direitos: seu papel no controle social.

Em seu discurso, a presidente do Conselho dos Direitos do Idoso de Ipatinga, Carla Andrea Santos Lima, afirma que o mapeamento das diretrizes e sua execução vão contribuir para uma melhoria nas condições de vida das pessoas idosas e a redução do preconceito e abandono.

“A população idosa sempre foi muito excluída na sociedade. Nos últimos anos, com as regulamentações em prol da pessoa idosa, essa visão tem sido ampliada. O Estatuto Nacional do Idoso é uma referência. Temos uma boa legislação, mas que precisa ser praticada no dia a dia. Essa Conferência é a garantia de mais um avanço. E vamos continuar trabalhando, em parceria com o poder público, com os representantes da sociedade civil e de entidades prestadoras de serviço, para alcançarmos os direitos, assim como a valorização destas pessoas em nosso município”, pontuou.

Em sua palestra, o médico geriatra Sávio Ulhôa informou que, atualmente, a média de vida da população brasileira é de 72 anos. Ele ainda citou o perfil das pessoas idosas no país: “A maioria vive na área urbana e são mulheres, as condições econômicas são precárias, com alto custo de vida, devido à saúde comprometida e também a baixa escolaridade”.

Assistente social e pesquisador, Leonardo Koury destacou em sua palestra que em poucas décadas o Brasil se tornará um dos países com maior número de pessoas idosas do mundo.

“Os maiores temores das pessoas diante do envelhecimento é não conseguirem cuidar das necessidades básicas, perderem a agilidade física e mental e não terem condições de viver com conforto. Quando olhamos para esses dados e observamos que vivemos um momento em que há uma regressão dos seus direitos sociais e ainda é inexpressivo no Brasil o número de conselhos municipais efetivos (eles são apenas 7% em todo território nacional), compreendemos o quanto é preciso avançar em políticas públicas que realmente contemplem os anseios desta população e garantam os seus direitos sociais”, comentou.

Para Maria das Dores, de 61 anos, “é na Conferência o lugar onde se tem voz e vez para falar, para proteger nossos amigos e lutar pelos direitos. Eu preciso estar por dentro do que está sendo deliberado no município, e o que vai seguir para o Estado. Essa participação vai garantir que estejamos protegidos e assistidos pelo Estatuto, dentro da lei”, observou.

A VII Conferência foi promovida pela Prefeitura de Ipatinga em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos do Idoso, via Secretaria Municipal de Assistência Social. Ainda durante o evento, foram eleitos os delegados que representarão o município na VII Conferência Estadual da Pessoa Idosa, em Belo Horizonte.

Fonte: PMI

 

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