Ipatinga abre pacote de 171 muros de arrimo

Durante a assinatura das ordens de serviço, o prefeito Nardyello Rocha agradeceu os vereadores pelo aval no Legislativo à proposta de captação dos recursos que viabilizam os serviços (Foto: divulgação/ PMI)

Agora é oficial. Começou na manhã dessa terça-feira (5) a execução do programa Nova Ipatinga, por meio do qual, entre inúmeras outras obras, serão construídos mais de 170 muros de arrimo para socorrer áreas de risco em todo o município. Com a presença do prefeito Nardyello Rocha e vereadores da base governista – citados pelo Executivo como fundamentais para o atendimento das demandas, por darem seu aval no Legislativo à proposta de captação dos recursos que viabilizam os serviços –, o trabalho de recuperação de encostas foi iniciado por pontos considerados mais críticos: a rua Amós, no bairro Canaãzinho, e a rua Tupis, no Iguaçu, cujos problemas se arrastam há quase 20 anos.

Graças à aprovação de lei autorizativa na Câmara, o município contratou empréstimo junto ao Finisa – Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento para socorrer moradores em diversas regiões da cidade. Inúmeras casas e até mesmo prédios têm estado permanentemente em situação de perigo, devido ao desmoronamento de ruas, com ameaças de agravamento do quadro a cada período chuvoso. As primeiras ordens de serviço assinadas dizem respeito a 44 muros de contenção, com investimentos superiores a R$ 3 milhões. A responsabilidade de execução é da empresa Século Engenharia, vencedora de concorrência pública. 

60 Km de asfalto

Dentro de mais uma ou duas semanas, o governo municipal espera também iniciar as obras de recapeamento de 60 quilômetros de asfalto, contemplando mais de 100 vias públicas em toda a cidade, conforme o prefeito adiantou nesta terça-feira. “Para que se tenha uma ideia do que isso representa, um município da grandeza de Salvador, por exemplo, capital da Bahia, com seus mais de 2,6 milhões de habitantes, está realizando agora um trabalho semelhante, recuperando asfaltos com décadas de uso numa extensão de 80 quilômetros”, enfatizou Nardyello.

Esperança

Desiludido com promessas que se repetiram e não foram cumpridas em governos passados, a esperança voltou a bater à porta de Afonso Papa Araújo, morador da rua Amós, que há mais de meio século reside no local. Ele conta que com o passar dos anos viu a rua cedendo pouco a pouco até se transformar quase numa trilha, tornando-se intransitável e perigosa até ser, afinal, interditada. 

Hoje, conforme relata, a percepção dele é outra. “Agora eu acredito que essa obra vai sair do papel, porque além da assinatura já estou vendo operários trabalhando no local. Cada ano que passava eu via um pedaço da rua caindo e ela ficando cada vez mais estreita. De bicicleta, a pé e até de moto algumas pessoas ainda teimam em passar por aqui, mas correndo riscos”, disse. 

Quem também ficou feliz com a notícia foi Ronan Peres Rodrigues, que mora em um prédio bem em frente do ponto mais destruído da rua Amós. Conforme explana, são vários anos de sofrimento e insegurança dele e da família. “Quando vem uma chuva forte, a gente não consegue dormir. Meu filho de nove anos é o que mais pena com a situação. Diz que não consegue pegar no sono por temer que a casa caia. A gente já presenciou várias situações aterrorizantes aqui, como um amigo meu que caiu no buraco com três botijões de gás”, conta. 

Rua Tupis 

Os relatos dos moradores que convivem diariamente com os problemas de encostas são semelhantes. Na rua Tupis, no bairro Iguaçu, onde o prefeito Nardyello Rocha também assinou ordem de serviço nesta terça, o asfalto cedeu há anos, provocando grande cratera na lateral da via, que teve sua pista arruinada pela metade em certo trecho. Alguns motoristas se arriscam a passar pelo pedaço de asfalto que restou, mas acabam disputando espaço com os pedestres, ciclistas e motociclistas. A situação ainda coloca em perigo os moradores que vivem na parte baixa da rua, temendo que o barranco continue a ceder e a terra invada e destrua suas casas. 

Na rua Tupis, o asfalto cedeu há anos, provocando grande cratera na lateral da via, que teve sua pista arruinada pela metade em certo trecho (Foto: divulgação/ PMI)

Elza Maria da Silva é moradora do local há mais de 50 anos. Ela conta que há duas décadas os residentes aguardam ansiosamente pela solução do drama. “A comunidade é muito prejudicada com a falta desse muro. As verbas dos antigos Compor (Congresso Municipal de Prioridades Orçamentárias) e Orçamento Participativo, nós nunca vimos. Agora, estamos muito satisfeitos com o lançamento dessas obras. Cremos que de fato elas já estão acontecendo e vão trazer mais bem-estar e segurança para todos”, afirmou. 

Morador da rua Jês, uma via próxima, há mais de 12 anos, Sergio Amaral nunca deixou de se solidarizar com os moradores da rua Tupis. Ele relata que acompanhou de perto todo o sofrimento da população que precisa transitar pela rua. “Há também cadeirantes que moram aqui. Esse acesso é muito necessário para a comunidade. Muitas vezes solicitamos as intervenções e nenhuma obra sequer foi iniciada. Agora, nós acreditamos, porque estamos vendo o empenho da atual gestão, trazendo melhoria no acesso às partes mais altas do bairro”. 

Reconhecimento

Durante a assinatura simbólica das ordens de serviço, nesta terça-feira (5), o prefeito Nardyello Rocha agradeceu os vereadores que compõem a base governista por votarem favoravelmente ao projeto que permitiu o financiamento de R$ 73 milhões feito junto à Caixa Econômica Federal, por meio do Finisa. 

“Os dois vereadores que votaram contrários – mencionou o Executivo – e chegaram a dizer que as obras são eleitoreiras, é porque não conhecem a realidade da população. As crateras estão aí, gigantescas, sinalizando que na verdade estes serviços nem são para hoje, não, mas para ontem”, apontou.

O prefeito ainda considerou como foi providencial a captação dos recursos do Finisa, “tendo em vista que o governo municipal tem sofrido imensamente com a retenção de recursos pelo Estado que atualmente já ultrapassam a casa dos R$ 140 milhões. Graças a esse aporte financeiro, estamos impedindo que a população fique refém da irresponsabilidade daqueles políticos que sucatearam Minas e deixaram seus municípios à míngua”, frisou. 

Cronograma

A previsão é de que, caso o tempo ajude, as obras iniciadas nas ruas Amós e Tupis fiquem prontas até março de 2020. “Estamos colocando uma folga neste cronograma, até porque queremos acreditar que vai chover nessa cidade. Mas há possibilidade de que a conclusão aconteça entre janeiro e fevereiro”, ressaltou Nardyello.