Onyx compara gestão Bolsonaro a Felipão no Palmeiras: ‘fazendo ajustes’

Foto: Reprodução

BRASÍLIA – A metáfora do futebol voltou a invadir o Palácio do Planalto. Na rápida cerimônia para comemorar os cem dias de governo, nesta quinta-feira, 11, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, comparou as dificuldades da gestão de Jair Bolsonaro nesse período aos percalços enfrentados pelo técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, o Felipão. “O presidente está parecendo o Felipão. Está fazendo os mesmos ajustes que o Felipão fez no ano passado: deu certo e vai dar certo”, previu Onyx. “Todos nós precisamos nos reinventar”, emendou, mandando também um recado ao Congresso.

No Salão Nobre do Planalto, a cerimônia foi feita sob medida para transmitir a mensagem de que desgastes, ruídos e até trombadas são normais em início de governo. O governo anunciou um pacote com 18 ações, como o projeto de lei a ser enviado ao Congresso, estabelecendo a autonomia do Banco Central. Bolsonaro também assinou proposta para alterar a forma de indicação de dirigentes de instituições financeiras. Na lista das medidas há, ainda, o tão falado “revogaço”, que anulará 250 decretos considerados sem eficácia ou com validade prejudicada.

O presidente leu o discurso no teleprompter e se atrapalhou em alguns momentos, admitindo não estar acostumado com essa tecnologia. Procurou, porém, passar a ideia de otimismo. “O general porta-voz diz que o mar está revolto, mas tenho certeza de que o céu está de brigadeiro”, afirmou ele. “A missão é difícil, mas com vontade, determinação e Deus no coração chegaremos a um porto seguro.”

Foram distribuídos 400 convites para a solenidade, que tinham como slogan “100 dias ­– 100% pelo Brasil”. Os zeros foram desenhados em forma de símbolo do infinito. Na plateia, como não poderia deixar de ser, estavam quase todos os ministros – as ausências foram os titulares da Economia, Paulo Guedes, e da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, que cumprem agenda no exterior. Presidentes de partidos convidados por Bolsonaro para integrar a base aliada, como os do DEM e do MDB, não compareceram. 

Ao dizer que tem confiança no levantamento da “taça”,  com a aprovação da reforma da Previdência no primeiro semestre, Onyx recorreu à comparação futebolística que, no passado, era usada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje preso em Curitiba. Destacou que o Palmeiras, clube presidido por Felipão, “flertou com a ida ao rebaixamento” no Campeonato Brasileiro, mas acabou se recuperando e conquistou o décimo título.

Na Câmara, deputados da oposição brincavam nesta quinta-feira que a metáfora usada por Onyx não foi feliz porque pode levar o torcedor a lembrar da goleada de 7 a 1 sofrida pelo Brasil na semifinal da Copa do Mundo de 2014, no estádio Mineirão. Naquela época, o técnico era justamente Felipão.

O Planalto trocou o comando da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), na tentativa de conter a queda de popularidade de Bolsonaro, que decidiu sair mais do gabinete para se aproximar da população. A ideia também é lançar uma campanha para explicar didaticamente a reforma da Previdência.

“Estamos fazendo arranjos naturais de começo de governo. Todo governo tem seus percalços”, observou o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys. “Mas aqui, nessa administração, não tem marqueteada que depois inspira programa”, disse Onyx, em alusão a slogans de programas criados pelo marqueteiro João Santana, nas gestões de Lula e de Dilma Rousseff, antes mesmo de o projeto sair do papel.

A fórmula da governabilidade, na avaliação do chefe da Casa Civil, não está pronta “em lugar nenhum do mundo”, mas exclui o toma lá, dá cá. Antes de se despedir, Onyx ainda pediu aos jornalistas: “Vocês precisam ter um pouquinho de paciência com a gente, viu?”.

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