Presença de militares em cargos de chefia causa nova crise no MEC

Weintraub usou da carta branca concedida por Jair Bolsonaro na solenidade de posse, no Palácio do Planalto, para nomear seus imediatos

A disputa interna no Ministério da Educação ganhou mais um capítulo. Dessa vez, sob a chefia do novo chefe da pasta, Abraham Weintraub. Silvio José Cecchi, nomeado para a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), teria se recusado a assumir o cargo se não pudesse levar a própria equipe. Ele é o único dos indicados de Weintraub que já tinha trabalhado no MEC. O Correio apurou que o problema seria justamente a concorrência com os militares, que não foram exonerados.

Weintraub tem de apagar esse incêndio o quanto antes, para evitar que a sua gestão seja assemelhada à do antecessor, Vélez Rodríguez. Os dois já têm, pelo menos, duas características em comum: admiração pelo escritor Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro e responsável pela indicação do ex-ministro, e um corpo técnico de pessoas, em sua grande maioria, sem relação com gestão em educação.

Os militares, por sua vez, parecem fazer um papel duplo na pasta. Disputam espaço com olavistas e, agora, supostamente, com os indicados de Weintraub, que é ligado ao escritor. Logo, fazem parte da crise. Por outro lado, porém, são eles que botam a pasta para funcionar quando a coisa aperta.

Reforça a teoria da disputa as nomeações publicadas esta sexta (12/4) na seção 2 do Diário Oficial da União, com atos de contratação e exoneração executados pela Casa Civil. Onyx Lorenzoni, que indicou Weintraub, exonera Marco Antônio Barroso Faria da Seres, mas não nomeia ninguém para o cargo. O mesmo acontece com a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec). Já  Arnaldo Barbosa de Lima Junior assume a Secretaria de Educação Superior (Sesu) no lugar de Mauro Luiz Rabelo, exonerado no mesmo ato.

A assessoria de imprensa do MEC disse, por e-mail, não ter essa informação. Os nomes sugeridos por Weintraub foram motivo de crítica de especialistas. Cinco dos seis nomes anunciados vieram da área da economia. “Quando eu vi os currículos dos nomeados, fiquei muito assustada com todos eles. Veio-me à mente que o antigo nome da pasta ‘Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública’, quando foi criada, em 1930, seria mais adequado para esta equipe”, disse Catarina de Almeida Santos, professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB).

“Ele trouxe pessoas do meio em que ele andou, gente que não é da educação, e educação não é lugar para amadores”, completou a professora. Nenhum deles tem experiência com educação, exceto Silvio José, que já chegou a trabalhar no MEC”, afirmou o doutor em psicologia da educação e pesquisador do Instituto Expert Brasil, Afonso Galvão, fazendo menção, justamente, ao indicado de Weintraub.

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