Ex-presidente do Flamengo é indiciado por mortes no Ninho do Urubu

A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou por homicídio doloso — quando se assume o risco de matar, sem a intenção — nesta terça-feira o ex-presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello e mais sete pessoas pelas mortes dos dez atletas no incêndio do Ninho do Urubu, o centro de treinamento rubro-negro, no dia 8 de fevereiro. Além de Bandeira de Mello, foram indiciados Danilo da Silva Duarte, Fábio Hilário da Silva e Weslley Gimenes, engenheiros da empresa NHJ, responsável pelos contêineres onde os garotos estavam alojados; Luis Felipe Pondé e Marcelo Sá, engenheiros do Flamengo; Edson Colman da Silva, técnico em refrigeração; e Marcus Vinícius Medeiros, monitor do Flamengo. Clube, NHJ e ex-presidente ainda não se manifestaram.

Bandeira de Mello foi eleito por duas vezes consecutivas presidente do Flamengo e teve a gestão marcada pela reestruturação financeira, que permitiu o investimento do clube na modernização do centro de treinamento Ninho do Urubu. As obras dos módulos que serviam para as categorias de base, onde o incêndio aconteceu, foram iniciadas e entregues entre 2013 e 2018, período em que Mello era o presidente rubro-negro. Ele também foi candidato a deputado federal pela Rede Sustentabilidade nas Eleições de 2018, mas não se elegeu.

Segundo o portal G1, entre as questões observadas pela Polícia durante a investigação estão a constatação de que a estrutura em que os atletas dormiam era incompatível com sua destinação. Além disso, os contêineres que serviam de alojamento continham diversas irregularidades estruturais e elétricas e os aparelhos de ar condicionado do local não eram reparados. Também foi descumprida a Ordem de Interdição do Ninho do Urubu emitida pela Prefeitura do Rio por falta de certificado do Corpo de Bombeiros e alvará de funcionamento. O inquérito foi assinado pelo delegado Márcio Petra, do 42ª DP da capital fluminense.

O laudo técnico, feito pela Polícia Civil após a tragédia, apontou que um curto circuito em um dos aparelhos de ar-condicionado presentes nos módulos onde os garotos estavam alojados foi a causa das chamas, que se alastraram por conta do material de revestimento do contêiner enquanto os atletas dormiam, na madrugada do dia 8 de fevereiro. Treze jovens acordaram e escaparam ilesos. Cauan (14 anos), Francisco Dyogo (15) e Jhonatan (15) foram resgatados da chama, mas sobreviveram. Dez morreram no incêndio: Athila (14), Arthur Vinícius (14), Bernardo (14), Gedson (14), Pablo Henrique (14), Christian Esmério (15), Jorge Eduardo (15), Samuel (15), Vitor Isaías (15) e Rykelmo (16).

Até o momento, o Flamengo fechou acordos indenizatórios com os 16 sobreviventes, além das famílias de Athila, Gedson e o pai de Rykelmo — a mãe, que é divorciada, pretende entrar na Justiça. O restante negocia através de advogados particulares ou com auxílio da Defensoria Pública. O Ninho do Urubu chegou a ser interditado parcialmente por quase três meses após o incêndio, mas foi liberado em maio, quando o clube fechou acordo com Ministério Público e Corpo de Bombeiros para regularizar o CT.

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